Tipos de agência

Redes de retail media e agências: de quem é, de fato, o orçamento?

O retail media agora abrange sites de varejistas, lojas dentro das redes sociais e conteúdo de creators. Veja qual tipo de agência deve ser dono dele e por que a visão da categoria decide.

Equipe editorial da Defy Publicado em 8 min de leitura
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Foto em preto e branco, de ângulo alto, de um único carrinho de supermercado no cruzamento de corredores vazios à noite, com um celular num tripé em um dos corredores e uma única etiqueta de gôndola vermelha, pequena.
A pergunta por trás deste artigo

“O retail media está crescendo rápido: ele deve ficar com a nossa agência de mídia, com um especialista em commerce ou com o time de performance?”

Resposta curtaO retail media deve ficar, na estratégia, com a agência que melhor entende a categoria do cliente e, na execução, com quem tem o melhor acesso aos varejistas e as melhores ferramentas. O canal agora abrange sites de varejistas, lojas dentro das redes sociais e conteúdo de creators, então nenhum tipo de agência é dono dele por padrão. As independentes conquistam a cadeira da estratégia com inteligência contínua sobre concorrentes e consumidores, não com escala de compra.

Pontos-chave

  • O retail media agora abrange sites de varejistas, lojas dentro das redes sociais e conteúdo de creators, então nenhum tipo de agência é dono dele por padrão.
  • A Digiday informa que, em junho de 2026, o TikTok Shop já aparecia em RFPs formais de agências ao lado da Amazon e do Walmart.
  • Estratégia, execução e mensuração de retail media não precisam ficar na mesma agência, e os rosters devem deixar claro quem é dono de quê.
  • À medida que a IA comprime tarefas de execução, como lances, feeds e relatórios, o valor da agência migra para entender a categoria e questionar o briefing.
  • Agências independentes podem competir sem acordos de dados de holdings se mantiverem uma visão ao vivo dos concorrentes e da conversa dos consumidores.

Quem deve ser dono do retail media: a agência de mídia, o especialista em commerce ou a casa de performance? A resposta honesta em outubro de 2026 é: quem entender melhor a categoria do cliente, porque o canal já não fica em um só lugar. O retail media agora passa pelo conteúdo de creators, pelas lojas dentro das redes sociais e por audiências fora do site tanto quanto pelos anúncios patrocinados no site do próprio varejista.

A evidência chegou neste mês. O Media Agency Report 2026, da Digiday, descreve as redes de retail media como “mais um canal-chave para parcerias com creators” e observa que, em junho de 2026, o TikTok Shop já aparecia em RFPs formais de agências ao lado da Amazon e do Walmart. Quando uma plataforma social aparece no mesmo documento de compras que dois varejistas, o velho organograma deixa de funcionar.

O que mudou de fato no retail media este ano?

Durante a maior parte da última década, o retail media foi um canal de busca no fundo do funil. Alguém de performance ou de e-commerce comprava produtos patrocinados, acompanhava o retorno sobre o investimento em mídia e reportava para cima. Os times de marca e de mídia mal olhavam.

Três mudanças apontadas no relatório da Digiday desfazem esse quadro:

  • Os creators entraram. A Digiday cita sua pesquisa do primeiro trimestre, em que 17% dos respondentes faziam parcerias com influenciadores para criar conteúdo de retail media. Isso fez do retail media o segundo canal mais usado para parcerias com creators, atrás das redes sociais.
  • Os acordos de dados estão formalizando o canal. O relatório aponta o acordo da Omnicom Media com a Meta para conectar os dados de compra da Walmart Connect a campanhas de creators no Instagram.
  • O social commerce está sendo comprado como varejo. David Dweck, presidente da Go Fish Digital, disse à Digiday que sua agência vem levando muitos clientes para o TikTok Shop, que ele vê como “meio que o segundo maior meio de varejo” fora da Amazon.

Somando tudo, o retail media deixa de ser um canal com um único dono. Ele passa a ser um trecho do funil em que busca, social, creators e shopper marketing se sobrepõem, e toda agência do roster pode reivindicá-lo com alguma razão.

Qual tipo de agência deve ser dona do retail media?

Cada candidata traz algo real, e cada uma tem um ponto cego. Veja como se comparam os argumentos.

Tipo de agênciaSeu argumentoSeu ponto cegoO que precisa provar
Agência de mídiaEscala de compra, planejamento de audiência, relacionamento com as redes dos varejistasTrata o retail media como inventário, e não como um problema de shopperQue o plano move vendas, e não só alcance
Especialista em commerce ou marketplaceConhece a prateleira digital: listagens, avaliações, conteúdo, preço, promoçõesPode estar próximo demais de um varejista para enxergar a categoria inteiraQue consegue planejar entre varejistas e lojas dentro das redes sociais
Casa de performance ou de buscaGestão de lances, feeds de produtos, disciplina de mensuraçãoOtimiza o que é fácil de contar, o que favorece a busca por marcaVendas incrementais, e não retornos reportados pelo varejista
Agência de creators ou de influenciadoresConteúdo que as pessoas realmente assistem, fluência em social commerceMais fraca em dados de varejo e condições comerciaisQue o conteúdo de creators converte na prateleira
Time de marca in-houseÉ dono da relação com o varejista e do orçamento de tradeFaltam talentos especializados e ferramentasQue consegue tocar o canal sem virar uma agência

Repare no que falta em todas as linhas: a visão da categoria. Quais concorrentes investem onde, do que os consumidores não param de reclamar, quais promessas todo mundo já está fazendo. Quem leva isso para a mesa costuma acabar definindo a estratégia, seja qual for o crachá.

Por que ninguém vence no retail media parado?

As Cinco Forças de Michael Porter são um framework antigo de escola de negócios, mas explicam bem essa disputa. O lucro, em qualquer mercado, vai para quem controla o recurso escasso, e cinco pressões decidem quem é: rivalidade, novos entrantes, substitutos, poder dos compradores e poder dos fornecedores.

Aplique isso ao retail media do lado da agência:

  • O poder dos fornecedores é alto. Os varejistas são donos dos dados de compra e do inventário. As agências alugam o acesso.
  • A rivalidade está crescendo. Cinco tipos de time agora disputam a mesma linha de orçamento.
  • Os substitutos estão chegando. Ferramentas de autoatendimento e compra por IA ameaçam a camada de execução. Harry Browne, da Tinuiti, disse à Digiday que “a compra agêntica é um assunto importante, mas ainda muito mal definido”. Mal definido não é o mesmo que inofensivo.
  • O poder dos compradores é firme. Na pesquisa da Digiday com 30 profissionais de agências, 36% disseram que os orçamentos de mídia dos clientes ficaram estáveis em 2026. Orçamento estável significa que qualquer canal novo é financiado tirando dinheiro de outra pessoa.

É por isso que a estagnação é a assassina silenciosa das oportunidades. A agência que continuar se definindo pelo canal que compra não perderá o retail media numa única concorrência dramática. Vai perdê-lo item por item, para quem aparecer com a leitura mais afiada da categoria.

Para onde o valor da agência migra quando a execução é automatizada?

O veículo especializado francês Stratégies defendeu essa tese em sua matéria sobre uma nova era para as agências de mídia. Sanja Vlaisavljevic, que dirige a agência Lift, espera que a IA comprima gradualmente parte da execução de mídia e desloque o valor da agência para longe da produção em si. Sua receita, em nossa tradução: entender o problema antes de buscar a resposta de mídia e ser capaz de questionar um briefing, e não apenas executá-lo.

O retail media é onde essa mudança vai pesar primeiro. Gestão de lances, otimização de feeds e relatórios são exatamente as tarefas em que o software está ficando bom. O que continua valioso é saber por que um concorrente acabou de dobrar seu conteúdo de creators em um marketplace, ou por que os consumidores de uma região reclamam sempre do mesmo tamanho de embalagem.

Como uma agência independente constrói uma posição crível em retail media?

Você não precisa de um acordo de dados de holding para competir. Precisa de uma visão da categoria mais fresca do que a de qualquer outra agência do roster. Uma sequência prática:

  1. Mapeie onde a categoria realmente vende. Liste todos os varejistas, marketplaces e lojas dentro das redes sociais em que o cliente e seus concorrentes aparecem, inclusive os que o cliente ignora.
  2. Acompanhe os concorrentes continuamente, não por trimestre. Monitore o conteúdo pago e orgânico deles nessas superfícies: promessas, formatos, creators, promoções e timing.
  3. Leia a conversa dos consumidores. Avaliações, comentários e threads de creators mostram quais tensões levam à compra. Transforme-as em termos de busca, textos de páginas de produto e briefings para creators.
  4. Combine a propriedade por escrito. Divida estratégia, execução e mensuração entre o roster de forma explícita. A ambiguidade é o caminho para você fazer o trabalho enquanto outro leva o crédito.
  5. Exija mensuração incremental. Os retornos reportados pelo varejista são úteis, mas uma rede que corrige a própria prova sempre será generosa. Insista em testes com grupo de controle (holdout) sempre que puder.
  6. Reporte o mercado, não só o investimento. Uma nota mensal sobre o que os concorrentes fizeram e o que os consumidores disseram faz mais pela sua cadeira à mesa do que mais um gráfico de ROAS.

Os passos dois e três são onde a maioria dos times trava, porque fazê-los à mão leva dias por cliente. É essa a lacuna que a plataforma da Defy foi criada para fechar: o Defy Monitor mantém inteligência ao vivo de concorrentes, audiência e conversas rodando em todos os clientes e categorias, de modo que a visão da categoria existe antes da reunião de retail media, e não depois dela.

O que dizer a um cliente que pergunta quem deve tocar o retail media dele?

Divida a pergunta em duas. Quem define a estratégia e quem executa a compra? Não precisam ser a mesma agência.

A estratégia pertence a quem consegue explicar a categoria: concorrentes, consumidores e as promessas ainda disponíveis. A execução pode ficar com quem tem o melhor acesso aos varejistas e as melhores ferramentas. A mensuração deve ficar com alguém que não lucre com a resposta.

Se a sua agência só consegue responder à segunda pergunta, comece já a construir o caminho até a primeira. O roster não vai esperar por você.

Defy Monitor · Defy MCP · Defy Agents

Como a Defy ajuda

O Defy Monitor dá ao seu time inteligência ao vivo de concorrentes, audiência e conversas em todos os clientes e categorias em que você atua, que é a matéria-prima de qualquer estratégia de retail media.

  • Vigilância de concorrentes: anúncios pagos e conteúdo orgânico dos rivais acompanhados continuamente, não numa auditoria trimestral.
  • Tensões dos consumidores: a conversa da audiência agrupada em personas e pontos de dor que você pode usar como base de briefing.
  • Respostas sob demanda: com o Defy MCP, faça perguntas aos dados dentro do Claude, como faria a um colega.
  • Rastreável: toda conclusão da IA leva de volta aos posts reais que a sustentam.

Escolha um cliente cujo retail media esteja em jogo e veja como fica a categoria dele mapeada ao vivo.

Perguntas frequentes

O que é uma rede de retail media?

Uma rede de retail media é publicidade vendida por um varejista ou plataforma de comércio em seus próprios sites e apps e, cada vez mais, fora deles, segmentada com os dados de compra do próprio varejista. O atrativo para as marcas é a proximidade com a compra e os relatórios ligados a vendas. O porém para as agências é que o varejista controla tanto o inventário quanto boa parte da mensuração.

O retail media deve ficar com a agência de mídia ou com um especialista?

Divida. Dê a estratégia a quem melhor souber explicar a categoria (concorrentes, consumidores e promessas ainda sem dono), a execução a quem tiver o melhor acesso aos varejistas e as melhores ferramentas, e deixe a mensuração com alguém que não se beneficie do resultado. Muitos rosters de agências já funcionam assim, de maneira informal. Colocar isso no papel evita retrabalho e discussões sobre quem fica com o crédito.

Como o marketing de creators está mudando o retail media?

Os creators estão passando a fazer parte do retail media, em vez de ficar ao lado dele. O Media Agency Report 2026, da Digiday, chama as redes de retail media de mais um canal-chave para parcerias com creators e cita o acordo da Omnicom Media com a Meta que liga os dados de compra da Walmart Connect a campanhas de creators no Instagram. Para as agências, briefings de creators, páginas de produto e busca no varejo agora precisam de uma visão única do consumidor.

Agências independentes podem competir com os holdings em retail media?

Sim, pelo entendimento e não pela escala. Os holdings conseguem fechar parcerias de dados que a maioria das independentes não consegue. Mas a estratégia de retail media depende de saber o que os concorrentes estão fazendo e o que os consumidores estão dizendo, semana a semana. Uma independente com inteligência contínua sobre a categoria pode levar ao cliente uma leitura mais afiada do que uma agência maior que trabalha com relatórios trimestrais.

Fontes

  1. Digiday Media Agency Report 2026: How agencies adapt to a media landscape shaped by AI and creators — Digiday, 2026-10-05
  2. Une nouvelle ère débute pour les agences média — Stratégies, 2026-10-10

Por que escrevemos istoEscrevemos isto porque os planejadores não param de perguntar para onde o retail media está indo, e o Media Agency Report deste mês, da Digiday, mostra o canal se fundindo ao trabalho com creators e social commerce, o que coloca todo tipo de agência do roster na mesma briga.

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